nos seus olhos morri duas vidas inteiras
mas vivi mais de cem pra recompensar
02 março 2012
28 fevereiro 2012
A jovem chama
Você me faz esquecer
De toda dor
Chega a me aquecer.
Mas eu danço no ar
E não paro de me perguntar:
E depois, o que será?
Sinto-me sem ar.
"Até o apagar da velha chama"
Eu ouvi Elis cantar
Me escondo o dia inteiro na cama
Com medo de não suportar.
De toda dor
Chega a me aquecer.
Mas eu danço no ar
E não paro de me perguntar:
E depois, o que será?
Sinto-me sem ar.
"Até o apagar da velha chama"
Eu ouvi Elis cantar
Me escondo o dia inteiro na cama
Com medo de não suportar.
22 dezembro 2011
Dialogando
- nossas semelhanças me assustam.
- talvez por eu ter medo de mim, eu tenha medo de você também.
- eu me sinto conversando com um espelho extremamente límpido.
- eu me sinto falando com uma fantasia não tão bem feita de mim.
(...)
- e se a gente fosse?
- a gente já é.
- e eu sou, sem você?
- eu sinto que eu sou, mas pela metade. então você meio que é.
- e nós somos por inteiro.
(...)
- talvez por eu ter medo de mim, eu tenha medo de você também.
- eu me sinto conversando com um espelho extremamente límpido.
- eu me sinto falando com uma fantasia não tão bem feita de mim.
(...)
- e se a gente fosse?
- a gente já é.
- e eu sou, sem você?
- eu sinto que eu sou, mas pela metade. então você meio que é.
- e nós somos por inteiro.
(...)
13 dezembro 2011
Gula
às vezes minha gula artística quer engolir tudo e vomitar arte, descobertas, invenções e maravilhas. mas o vômito não passa de vômito ruim, que fede, que a gente encontra em toda esquina e pisa todos os dias sem nem saber no que está pisando. é triste porque eu não consigo me visualizar. eu não me enxergo, eu não me sinto, eu só sou e não é agradável. é como se eu ficasse dando descarga sem parar mesmo não tendo nada no vaso sanitário. como se eu insistisse em algo que não existe e me esforçasse pra que existisse, mas esse esforço é inútil. não dá em absolutamente nada. é como um fim em si próprio.
15 setembro 2011
Sabiá mudo
eu quero o mundo
que escapa dos meus dedos,
mas estrangula minha garganta.
da minha falta de ar
surgem urgências silenciosas
e com o barulho de meu peito
desejo inquietamente emudecer.
numa canção sem compasso,
gritar aquilo que me fez perder a voz
e fora do ritmo proclamar a minha rouquidão,
rouquidão de sabiá que voltou pra sua terra,
mas em sua terra não quer ficar.
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