08 maio 2012

01

Veja bem a chuva que fala,
Que quer dizer algo que ninguém escuta,
Que ninguém entende.


Veja bem os olhos que dizem amor,
Que falam de saudade,
Que não escuta a realidade.


Veja bem o que o tempo quer falar,
Que em um caminhar se encontra uma verdade,
Que leva a saudade pra dentro do mar.


Diga o que as mãos fazem,
Que na vida só se sabe de uma coisa,
Que é perigoso viver de saudade.


Escute o que as cores representam,
Que com o todo a gente se arrebenta,
Que o coração não quer dizer.


Não seja a rosa,
Que tem espinhos,
Que serve de enfeite para casais.


Não seja a saudade de alguém,
Que machuca sem ver,
Que não deixa ninguém viver.


Veja bem o que queres fazer,
Que na vida tudo se perde,
Que se engana e despede.


Se a verdade é que todos morremos de tristeza.

02 março 2012

Dualismo em mim

nos seus olhos morri duas vidas inteiras
mas vivi mais de cem pra recompensar

28 fevereiro 2012

A jovem chama

Você me faz esquecer
De toda dor
Chega a me aquecer.

Mas eu danço no ar
E não paro de me perguntar:
E depois, o que será?
Sinto-me sem ar.

"Até o apagar da velha chama"
Eu ouvi Elis cantar
Me escondo o dia inteiro na cama
Com medo de não suportar.

22 dezembro 2011

Dialogando

- nossas semelhanças me assustam.
- talvez por eu ter medo de mim, eu tenha medo de você também.
- eu me sinto conversando com um espelho extremamente límpido.
- eu me sinto falando com uma fantasia não tão bem feita de mim.
(...)

- e se a gente fosse?
- a gente já é.
- e eu sou, sem você?
- eu sinto que eu sou, mas pela metade. então você meio que é.
- e nós somos por inteiro.

(...)

13 dezembro 2011

Gula

às vezes minha gula artística quer engolir tudo e vomitar arte, descobertas, invenções e maravilhas. mas o vômito não passa de vômito ruim, que fede, que a gente encontra em toda esquina e pisa todos os dias sem nem saber no que está pisando. é triste porque eu não consigo me visualizar. eu não me enxergo, eu não me sinto, eu só sou e não é agradável. é como se eu ficasse dando descarga sem parar mesmo não tendo nada no vaso sanitário. como se eu insistisse em algo que não existe e me esforçasse pra que existisse, mas esse esforço é inútil. não dá em absolutamente nada. é como um fim em si próprio.